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Capa do Livro Fotopsicoterapia

A Fotografia Como Instrumento Terapêutico

Resumo

A Fototerapia, ou, como nominada no Brasil, Fotopsicoterapia, que é a utilização de fotografias como instrumento terapêutico, tem sido vista, via geral, como sendo uma variante da técnica de associação livre, desenvolvida por Sigmund Freud e comumente aplicada na Psicanálise clássica.

O que se propõe é uma visão holística para a Fotopsicoterapia, somando e integrando o que cada abordagem tem de melhor (incluindo a Arteterapia…) e introduzindo um olhar junguiano, objetivando comprovar que a imaginação ativa e dirigida (técnica projetiva da Psicoterapia de Carl Gustav Jung) é a que melhor aproveita os recursos da técnica.

Autor: Henrique Vieira Filho
Terapeuta Holístico

DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.5795872

Palavras chaves: fotopsicoterapia. psicanálise, arteterapia, Freud, Jung

Abstract

Phototherapy, or, as it is called in Brazil, Photopsychotherapy, which is the use of photographs as a therapeutic tool, has been generally seen as a variant of the free association technique, developed by Sigmund Freud and commonly applied in classical psychoanalysis. 

What is proposed is a holistic vision for Photopsychotherapy, adding and integrating the best of each approach (including Art Therapy…) and introducing a Jungian look, aiming to prove that active and directed imagination (projective technique of Psychotherapy of Carl Gustav Jung) is the one who makes the best use of the technique’s resources.

Keywords: phototherapy. psychoanalysis, art therapy, Freud, Jung

A Fototerapia, ou, como nominada no Brasil, Fotopsicoterapia, é a utilização de imagens como instrumento terapêutico profissional, para atendimento individual ou em grupo.

É uma técnica de acesso ao conteúdo psíquico inconsciente, para posterior elaboração e entendimento consciente e pressupõe a coordenação presencial de um Psicoterapeuta Profissional.

Agregar a fotografia à terapia torna o atendimento ainda mais atrativo, eficaz e lúdico, podendo ser associada livremente com outras técnicas, sendo pois, perfeitamente indicada para os que já atuam com psicoterapia, tais como psicólogos, psicanalistas. terapeutas holísticos, arteterapeutas, além de ser uma porta de entrada para arte-educadores, artistas visuais e fotógrafos que almejam tornar-se terapeutas.

Diferentemente das terapêuticas mais tradicionais, o leque potencial de público é muito mais amplo: desde os clientes maduros, com seus álbuns de família e de viagens, até as gerações mais novas, com suas “selfies” e fotos em redes sociais, praticamente todos têm afetividade com imagens.

Este trabalho apresenta uma linha do tempo comparativa entre as principais correntes (Phototerapy, Photolangage, Photoanalysis, Reading Pictures, Walker Visuals, Spectro Cards), suas práticas e métodos, bem como a influência do educador Paulo Freire na vertente brasileira, além de propor uma nova abordagem,  embasada em Carl Gustav Jung e na Arteterapia.

Há, basicamente, três vertentes mundiais na Fotopsicoterapia: uma que propõe trabalhar com “kits” de imagens previamente definidas, enquanto outra, utiliza fotografias selecionadas pelo próprio Cliente, seja porque foi ele quem fotografou, ou de autoria de terceiros que o retrataram, ou, ainda, de origens diversas, mas que sejam por ele escolhidas, por lhe despertarem a sua atenção no momento e, ainda, uma terceira que trabalha especificamente com retratos corporais do próprio Cliente.

A maior parte dos teóricos da Fototerapia a consideram como uma variante da técnica de associação livre, desenvolvida por Sigmund Freud e comumente aplicada na Psicanálise clássica.

Defendo outra interpretação, amparada na Psicoterapia Junguiana, ao propor fotografias como meio para a aplicação da técnica de imaginação ativa e/ou dirigida, desenvolvida por Carl Gustav Jung.

A tese ora apresentada igualmente discorda das correntes européias da Fototerapia que rechaçam qualquer tipo de vinculação com a Arteterapia, visto que os mesmos fundamentos podem e devem ser utilizados, bastando incluir a fotografia no rol de técnicas expressivas, tais como desenho, pintura, modelagem, música, poesia, dramatização e dança.

A Prática Da Fotopsicoterapia

Muito mais Arte do que Ciência, não há sentido em uma metodologia rígida de aplicação prática, ainda mais, sob a visão holística, em que, cada caso é único.

Todo Profissional deve dispor de um amplo leque de técnicas para melhor atender a diversidade de Clientes, sendo que a Fotopsicoterapia só tem a somar, tanto como método principal, quanto coadjuvante aos já tradicionais.

Este trabalho desfilou o modo de atuar dos mais renomados terapeutas que adotaram a fotografia como instrumento em seus atendimentos. Justo pontuar que se trata de técnica nascida e convalidada pela experiência prática, sem nenhuma pretensão de ser estudada mediante metodologia científica.

Em comum, todos almejam o acesso a materiais psíquicos inconscientes, por meio de exercícios de imaginação, utilizando imagens como objetos mediadores.

Visualizando as fotografias, o analisando é estimulado a criar narrativas, histórias, da forma mais espontânea, sem preocupações com lógica, nem julgamentos. Trata-se da técnica que denominamos “fotoprojeções”.

Comumente, surgem emoções e “insights”, associados a memórias, desejos e percepções até então suprimidos da consciência.

Aflorado o conteúdo, este passa a ser trabalhado com as demais técnicas psicoterápicas, desde o Aconselhamento, até quaisquer das correntes psicoterápicas, tais como a Comportamentalista, a Psicanálise, a Humanista e a Transpessoal.

Auto-Análise Com Fotopsicoterapia

De tão banalizado e pejorativo que o termo se tornou, sequer cogitei nominar este tópico como “auto-ajuda”.

Primeiramente, convém a diferenciação entre algo ser “terapêutico” (no sentido de ser um relaxamento, uma distração, uma válvula de escape das atribulações cotidianas…) ou ser uma “terapia” (busca pelo autoconhecimento, superação de problemas, maximização de potenciais, incremento de qualidade de vida, etc, mediante acompanhamento e orientação profissional).

Fotografia terapêutica, que, por sinal, pode ser muito gratificante, trata-se de um “hobby”, um lazer despretensioso, sem necessidade de acompanhamento profissional.

Já a Fotopsicoterapia é uma técnica de acesso ao conteúdo psíquico inconsciente, para posterior elaboração e entendimento consciente (tal qual os sonhos, possibilita a comunicação entre Self e Ego) e pressupõe a coordenação presencial de um Psicoterapeuta Profissional.

Em tese, é possível praticar em si mesmo, sem orientação de analista, tal qual fosse uma forma de meditação solitária.

O próprio Jung experimentou em si, durante anos, a imaginação ativa, possibilitando desenvolver daí a sua teorização psicoterápica. Outrossim, tomarmos um gênio como parâmetro gera o risco de aplicar a exceção como se fosse regra.

Para viabilizar a auto-análise, exige-se aptidão para, inicialmente, suspender o racional e as faculdades críticas, permitindo que o inconsciente assuma a liderança enquanto o ego permanece como atento observador, sem interferir no surgimento de novas imagens, associações, personalizações e até mesmo o diálogo com o conteúdo que emergiu.

Deve-se ter o cuidado de não direcionar a discussão ou a fantasia para a conclusão previamente desejada pelo ego, permanecendo receptivo para tudo o que a imaginação trouxer.

Na sequência do procedimento, o que se espera é o surgir de “insights” (compreensão repentina da situação), momento em que se alterna a liderança de volta para o ego, para a consciência, iniciando a grande tarefa de integração/interpretação das imagens, extraindo informações a serem aplicadas em sua vida.

Finalizado o exercício imaginativo deve-se registrar os resultados, valendo-se de meios como escrita, escultura, desenho, expressão corporal, ou seja, o que tiver maior afinidade, além de, é claro, no caso da Fotopsicoterapia, incluir as respectivas imagens que deram origem às reflexões.

A presença e acompanhamento por profissional especializado torna muito mais produtivo, menos desgastante e mais gratificante todo esse processo.

O Terapeuta pode optar por um consultório ainda mais diferenciado, sendo que o espaço físico pode agregar componentes de estúdio fotográfico e palco teatral.

Tela de fundo fotográfico (ou parede branca), espelhos grandes (para visualização do corpo todo). iluminação e equipamento de imagem (câmera, tripé, iluminação, projetor…), bem como recursos cenográficos e figurinos/fantasias variados podem ser incorporados como ferramentas lúdicas extras.

A ambientação inusitada propicia aos Clientes a oportunidade de “incorporarem” os mais diversos personagens, sejam estes arquetípicos (extraídos das artes e mitologias) ou diretamente relacionados à pessoa (figuras paternas, maternas, par romântico, crianças, etc…) ou até da analisando em si, em diversas faixas etárias e situações de vida.

Esta teatralização do exercício imaginativo é uma forma radical e lúdica de driblar a resistência do racional, possibilitando minimizar a autocensura e ampliar a espontaneidade.

O uso de máscaras pode ampliar ainda mais o aflorar de personas ainda pouco usufruídas pelo consciente. 

Por sinal, este recurso pode ser totalmente individualizado, com fotografias de rostos de figuras significativas da vida do analisando, que podem ser impressas e recortadas em forma de máscaras, catalisando a “incorporação” destas personalidades.

Pertinente observar que tal cenário somente é possível em atendimentos fisicamente presenciais, sendo pouco viável de ser praticado em versões terapêuticas “online”.

Da mesma forma, trata-se de metodologia voltada para o atendimento individual, sendo desaconselhada para terapia em grupo.

Conclusão

Superando o espírito corporativista e separatista dos fotopsicoterapeutas, que tendem por estas razões a manter-se na linha freudiana, bem como a inércia dos arteterapeutas, que se apegam às teorizações estabelecidas em época que a fotografia era um recurso raro e oneroso, ou seja, assim que os profissionais ampliarem suas abordagens, com o estudo da técnica de imaginação ativa e/ou dirigida, da Psicoterapia Analítica, desenvolvida por Carl Gustav Jung, a Fotopsicoterapia se consolidará como uma ferramenta terapêutica de grande valia.

Agregar a fotografia à terapia torna o atendimento ainda mais atrativo, eficaz e lúdico, podendo ser associada livremente com outras técnicas, sendo pois, perfeitamente indicada tanto para os que já atuam com psicoterapia, tais como psicólogos, psicanalistas. terapeutas holísticos, arteterapeutas, quanto ser a porta de entrada para arte-educadores, artistas visuais e fotógrafos que almejam tornar-se terapeutas.

Para saber mais:

VIEIRA FILHO, HENRIQUE – Fotopsicoterapia – A Fotografia Como Instrumento Terapêutico. São Paulo, Sociedade Das Artes, 2020E-book: Fotopsicoterapia – A Fotografia Como Instrumento Terapêutico – Livroteca

Henrique Vieira Filhohttps://henriquevieirafilho.com.brcontato@henriquevieirafilho.com.br(11) 982946468

Henrique Vieira Filho é artista visual, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “Sociedade Das Artes” (SNIIC: SP-21915), diretor de arte, produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTB 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP) e terapeuta holístico (CRT 21001).

http://lattes.cnpq.br/2146716426132854

https://orcid.org/0000-0002-6719-2559

Sobre o Autor

Henrique Vieira Filho é artista visual, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “Sociedade Das Artes” (SNIIC: SP-21915), diretor de arte, produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTB 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP) e terapeuta holístico (CRT 21001).

http://lattes.cnpq.br/2146716426132854

https://orcid.org/0000-0002-6719-2559

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