Revista TH - Fevereiro - Março / 2022
A Revista Oficial da Terapia Holística - No 74 / 2022 10 Autotranscendência Ao abordar sobre o tema da autotranscendência, Viktor a relaciona com um fenômeno encontrado na dimensão espiritual onde se situa a essência, ou seja, o “ser” do ser humano, considerando essa essência ser a primeira forma de encontrar o sentido da vida e permitir que o homem esteja aberto e receptivo ao mundo exterior. Em algumas interpretações da vida humana, o autor faz uma advertência em relação ao encontro do Eu com o Tu se anularem (Martin Buber e Ferdinand Edner), pois a qualidade da existência para a autotranscendência relaciona-se ao movimento que o homem faz para ir além de si mesmo, ou seja, este movimento ocorre com o sentido do ser através da relação direta com o logos de ambos. Desta maneira, o homem pode superar conflitos internos partindo da necessidade de buscar algo diferente de si, dedicando-se à alguma causa, obra ou alguém e assim encontrar e perfazer muitos sentidos, pois acredita que estar junto ao outro não envolve apenas um plano cognoscitivo, mas também o afetivo por meio da entrega denominada amor. “[...] o homem só se torna homem e só é completamente ele mesmo quando fica absorvido pela dedicação a uma tarefa, quando se esquece de si mesmo pela dedicação a uma tarefa, quando se esquece de si mesmo no serviço a uma causa ou no amor a uma outra pessoa”.(Frankl, 1991,p.18) Correlaciona o autodistanciamento como a circunstância para encontrar, avaliar e mensurar uma determinada situação, saindo de uma postura individualista para uma mais humana e social. Em suas narrativas dicerta que a natureza do ser humano o direciona a se ultrapassar, sendo a transcendência de si o fundamento da essência de sua existência, relacionando o amor e a consciência como as capacidades mais intuitivas e humanas de se autotranscender, pressupondo que o humano se faz presente mais em forma de amor do que em conhecimento, portanto mais existencial do que intelectual; e o amor como aquele que abriga a força e a potência necessária para gerir mudanças e também como o último bem supremo a ser adquirido pela existência humana e ser consequentemente parte constituinte da sua existência, pois tem a capacidade de se definir e se redefinir; deste modo, acredita que a homeostase não consegue explicar o comportamento humano e tão pouco a compreender os fenômenos especificamente humanos. Confronta o simplicismo e pontua algumas comparações indevidas, como o caso da dimensão superior com a inferior, onde se confunde o termo inferior com menos valia e reitera que a dimensão superior é mais abrangente por também contemplar a dimensão inferior.
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy MTUyMjQy