Revista TH - Dezembro 2021 / Janeiro 2022

A Revista Oficial da Terapia Holística - No 73 /2021-2022 16 Cobrança de realizações Existe introjetado em todo ser humano a “cobrança”, a autocrítica, em grau menor ou maior. Para este último caso, o período de festas amplifica ainda mais a sensação de “frustração”, perante as realizações não conquistadas que, não raro, ofuscam a percepção do que de positivo aconteceu. O final do ano atua como “término de prazo” para concluir as metas almejadas e precipita um “julgamento” de que não fez por merecer. Por isso, soma a sensação de culpa, às emoções de tristeza e até mesmo raiva, que parecem ter menos “espaço” de aceitação nestas épocas em que ser feliz se torna mais uma “obrigação” que não foi possível cumprir, retroalimentando a angústia pelo sentimento de inadequação. Perdas afetivas e finais de ano No campo afetivo, cada um elabora suas “perdas” (mortes, separações, enfermidades, acontecimentos traumáticos, etc...), seus “lutos”, de formas distintas, cuja duração não ocorre com “prazo”, nem “data” pré-definidos para encerrar. Porém, a sociedade “exige” que se festeje esse período, pressionando quem “ouse” estar em outra “sintonia” emocional. Entes queridos e próximos se esforçam para “impor felicidade”, via de regra, na melhor das intenções, mas impedem a pessoa de vivenciar sua tristeza e, por consequência, de elaborar os acontecimentos e “crescer” com o processo. Exigência de família perfeita Este período de festas também “exige” família perfeita, completa e harmoniosa, compartilhando presentes, refeições, sorrisos e abraços. Mas, o que fazer com todas as brigas, os traumas, as mágoas, as agressões (emocionais e físicas nos mais variados níveis de gravidade...) ? Apesar da incontestável beleza do ideal do perdão, a realidade deve ser aceita de que a superação vai muito além da intenção.

RkJQdWJsaXNoZXIy MTUyMjQy