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O uso da Ventosaterapia perde-se no tempo e, provavelmente, tenha surgido por intercâmbio cultural entre os povos primitivos, uma vez que ninguém sabe exatamente quem criou essa técnica milenar.

Entre os Egípcios, a aplicação da ventosa era o tratamento habitual para quase toda enfermidade. Herdaram esse método dos povos mais antigos do Oriente, levando, posteriormente, aos Gregos.

Encontram-se , inclusive, citações sobre a técnica por Hipócrates no século IV a.C.

Acredita-se que , inicialmente, essa prática era utilizada para sugar o sangue de feridas envenenadas.

Os instrumentos mais antigos de aplicação de ventosas foram chifres ocos de búfalo, cuias ou cabaças com um orifício na ponta, através do qual o profissional, por sucção oral, sugava o sangue das escarificações, previamente, feitas com facas.

Esses utensílios eram chamados de “ Abóboras” pelos Árabes e de “ Curcubitula” pelos Egípcios, que em latim, significa “Ventosa”.

Na China, os mais remotos registros do uso da ventosa, foram encontrados no “BO SHU”, (um livro antigo escrito em seda) descoberto em 1973, em um antigo túmulo da Dinastia HAN.

Muitos exemplos ilustram o pensamento médico da antiguidade, que guiava-se, não só pela observação, mas também, por aspectos místicos, crenças, mágicas alquímicas e astrológicas, como no caso do cirurgião geral do Rei Phillipe de França, Maitre Henri, que em seu livro escrito entre 1306 e 1320, observava que: “ Nunca aplicar ventosas no nevoeiro ou quando os ventos do Sul soprarem”.

E, durante todo o tempo, sempre distinguiu-se duas formas de aplicação de ventosas: seca e molhada.

Na seca, não há remoção de sangue do corpo. Simplesmente, retira-se o ar da ventosa e esta é aplicada na pele que fica intumescida (inchada).

Na molhada, a aplicação começa com a seca, em seguida, várias incisões são feitas na pele para coletar o sangue.

As experiências clínicas foram se tornando progressivas e vastas, assim como seus benefícios cada vez mais solidificados e popularizados.

Mas,apesar disso, o uso das ventosas foram perdendo força gradativamente, na América e na Europa no início do século XX, deixando de ser utilizada pela maioria dos médicos. Acabou sendo relegado ao uso caseiro, nas zonas rurais e aos serviços dos barbeiros.

Era comum encontrar vitrine das barbearias com o seguinte anúncio: “ Ventosas para Resfriados”.

Muitos fatores contribuíram para esse declínio, inclusive a descoberta de antibióticos e antitérmicos.

Posteriormente, com o aumento do número de pessoas que buscam as Terapias Integrativas e Complementares para cuidar da saúde, e também com o reconhecimento pelo SUS, a Ventosaterapia novamente floresceu, sendo amplamente utilizada na aceleração do processo curativo e natural do corpo.

Os métodos de aplicação de hoje são praticamente os mesmos de antigamente, com algumas introduções mais modernas: ventosas eletromagnéticas, com manivelas parafusadas, com válvulas, de bambu, de vidro, borracha ou acrílico.

A técnica é simples: consiste de uma cúpula que é sobreposta a pele, imediatamente, após provocar um vácuo no interior do instrumento com uma chama.

Ao esfriar se, ocorre a formação de uma pressão negativa interna, com a propriedade de provocar sucção.

Atualmente, a pressão negativa também pode ser feita por meio de uma bomba aspirante.

Depois de colocada, a ventosa pode permanecer estática por alguns minutos ou então, pode-se realizar movimentos de deslizamento com a finalidade de melhorar o fluxo tanto energético (Qi) quanto de sangue (Xue), promovendo o descongestionamento a nível de Canais de Energia Principais e Secundários.

Como resultado, teremos um aumento do diâmetro dos vasos, maior oxigenação dos tecidos, liberação das toxinas e gases, aumento do líquido sinovial nas articulaçõe, conjunto que exercerá uma ação relaxante para o corpo e para a mente.

De modo geral, é um método seguro e simples, sem contra indicação, salvo algumas exceções onde a ventosa não deve ser utilizadas: distúrbios hemorrágicos, sobre queimaduras de sol ou de qualquer espécie, em feridas abertas, fraturas ou traumas recentes, nas regiões do abdômen durante a gravidez e pessoas com extrema exaustão.

De qualquer forma, a pressão deve ser controlada de forma sensata para que não surjam bolhas de sangue, manchas roxas exageradas ou dores muito intensas após a aplicação.

Nós, Terapêutas Holísticos fazendo uso desta técnica, pudemos observar que a Ventosaterapia popularizou-se significativamente, a partir da última Olimpíada Rio – 2016.

Nesta oportunidade foi amplamente divulgada por atletas de destaque como o medalhista norte-americano Alex Naddour, que afirmou ao Jornal USA Today: “ é o segredo que tem me mantido saudável ao longo deste ano”.

A partir daí, muitas pessoas passaram a procurar pelo tratamento com ventosa, inclusive, com a intenção de que as marcas ficassem visíveis no corpo.

Mas, o importante é que não nos limitemos a fazer uso disso de uma forma tão simples e restrita, sem valorizar devidamente esse importante recurso terapêutico.

Afinal, vários de nós já ouviram falar, ou até mesmo foram tratados por pais, avós ou mesmo bisavós, que utilizavam um copo pré-aquecido internamente com uma vela e, em seguida, colocavam-no em alguma parte do corpo com a intenção de aliviar alguma dor ou sanar um resfriado.

Portanto, é o conhecimento dos seus fundamentos, onde e como aplicá- la , qual o tipo de estímulo utilizar, aplicá-la isoladamente ou em conjunto com outras técnicas, como Acupuntura, Moxaterapia, Florais, Auriculoterpia, Reflexologia, etc, é que fará a diferença.

E, uma das maneiras de explorar esse recurso é a utilização de um conjunto de pontos situados, nas costas que tem uma relação direta com Órgãos e Vísceras (Zang Fu) , além de tratarem dores crônicas.

São os pontos “Beishu” , que localizam-se ao longo da região paravertebral, dispostos no Meridiano Principal da Bexiga chamados de “Shu Dorsais”.

Além desses pontos, existem também duas linhas paralelas a coluna e bilaterais que servem para o tratamento de distúrbios emocionais, abrindo um leque de possibilidades terapêuticas muito grande.

Sendo assim, ao nos utilizarmos deste recurso,serão equilibrados não só as desordens dos Órgãos e Vísceras, como Pulmão e Intestino Grosso; Coração e Intestino Delgado; Fígado e Vesícula Biliar, Estômago e Baço- Pâncreas; Rim e Bexiga.

Mas também, as desordens emocionais correspondentes como Tristeza, Alegria-Euforia, Raiva, Preocupação e Medo, com todos os quadros decorrentes delas.

Podemos citar como exemplo os pontos :B13 -( desordens pulmonares) e B42 -( tristeza ) – B18 -( desordens hepáticas)) e B47 – (Raiva e Irritação), etc.

Em meus atendimentos, gosto de utilizar em conjunto com os pontos escolhidos, o B62, que dentre muitas funções importantes, possui a capacidade de funcionar como um verdadeiro “dreno” para a eliminação dos catabólitos metabólicos e energéticos liberados pela atuação das ventosas nos pontos “ Beishu”.

Sendo assim, não podemos utilizar a Ventosaterapia de modo tão simplificado a ponto de descaracterizá-la, colocando-a num patamar tão superficial, pois ao realizar essa técnica com conhecimento aprofundado, poderemos atingir uma realidade que vai muito além de qualquer dor.

Ana da Conceição Cespedes Cavalcante CRT 35866 - Terapeuta Holística,
Ana da Conceição Cespedes Cavalcante
CRT 35866 – Terapeuta Holística, trabalha com as seguintes técnicas: Shiatsu, Terapia Corporal, Reiki, Psicoterapia Holistica, Holopuntura,.Ventosaterapia

http://anacespedescavalcante.terapiaholistica.com.br

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Henrique Vieira Filho

Henrique Vieira Filho é artista plástico, escritor, jornalista e terapeuta holístico. Nas artes, é autodidata e seu estilo poderia ser classificado como surrealismo figurativo.Por mais de 25 anos, esteve à frente da organização da Terapia Holística no Brasil, sendo presença constante nos meios de comunicação. Elaborou as normas técnicas e éticas da profissão, além de ser autor de dezenas de livros e centenas de artigos, que são adotados como referência em vários países.
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